quarta-feira, 6 de abril de 2016

"A Crônica do Vazio"

Era uma tarde de março. 

O piso claro e gelado, refletia o sol tímido que entrava pela janela ampla do salão.

Eduardo sentado na costumeira cadeira, observando com olhos curiosos e desconfiados, à procura de um sinal de vida, de qualquer manifestação que pudesse trazê-lo algum sentimento de acolhimento, qualquer coisa que ele pudesse se identificar e se agarrar, em meio ao salão vazio e estacionado no tempo.

Mas é tudo cinza e silencioso. 
Oco, preso num vácuo dilacerante. 
O único ruído é o do nada, do desalento. 
Do frio sob 30 graus,
Do silêncio do buzinaço, alarmes, campainhas.
Desconfortável para deitar-se e desolado demais para querer manter-se em pé.

Alguém que recosta sobre o espaldar da cadeira à espera que o transe do vazio se vá.

A claridade refletida no chão, não alcança este corpo exausto, de peito dolorido e olhar estático, já seco de outros tempos.

Ele desejava encontrar um grão de alegria sequer, em qualquer símbolo que representasse o acalento, não havia nada ao seu redor. E no fundo, ele sabia que nada viria.

O som dos pneus esmagando as pedrinhas da rua, invadiu seus ouvidos.
Pensou estar sonhando, como se fosse um truque de ilusão, um delírio de esperança.

Era aquele tradicional automóvel preto e brilhante, que não se podia saber o que ele traria ali dentro.

Se traria boas novas ou se mais vazio para completar seu universo inerte.




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